12/12/2010





CONTO DE NATAL




O calor forte e úmido embota os sentidos e, nem a TV ligada, com sua programação sem graça consegue me entreter.

Preguiçosamente, desligo a TV e, dirigindo-me lentamente à estante de CDs, escolho alguns com minhas músicas prediletas e os disponho na bandeja para tocar. Já encharcado de suor, retorno à minha poltrona predileta e me solto sobre ela, enquanto percebo, pela grande janela envidraçada da sala, que lá fora chove copiosamente. Aliás, chove como sempre, durante as festas de fim de ano.

E o ventilador, à toda, não consegue espantar o calor!

Reabro o livro que estava lendo e deixo meus olhos seguirem as linhas que se embaralham pelas páginas, pesadas de tantas palavras, formadas por milhares de letras. Ao fundo, a melodia sempre hipnotizante do Bolero de Ravel que segue, em seu crescendo, aparentemente sem fim.
É nesse momento que um barulho vindo da cozinha me desperta do meu torpor. Preocupado, por estar só em casa, levanto-me com dificuldade e, pé ante pé me dirijo à cozinha, carregando nas mãos, à guisa de arma, um guarda-chuva velho que jazia, encostado e inútil, num canto da sala.

Encontrei vasculhando a geladeira, um garoto gordinho de uns sete anos, que me olhou assustado, como se o invasor ali fosse eu. Aproximei-me com cuidado, sem largar a arma, digo o guarda-chuva velho e perguntei o que ele estava procurando em minha geladeira. Agora sim, assustado de verdade, ele disse que a geladeira era dele e que eu é que deveria explicar o que fazia dentro da sua casa. Sem receio do garoto, resolvi entrar na brincadeira para entender o que ele queria em minha casa e como havia entrado sem que eu percebesse.

Disse que estava com sede e gostaria de tomar um copo de água gelada. Ele, com desenvoltura, tirou um copo do armário, ofereceu-o para mim e, abrindo novamente a geladeira, pegou a garrafa de água que destampou e foi inclinando sobre o copo que eu segurava, até enchê-lo parcialmente de água. Depois ficou olhando-me fixamente, ainda segurando a garrafa, até que eu bebesse todo o líquido refrescante. Como eu agradecesse e dissesse que estava satisfeito, ele fechou a garrafa com cuidado e guardou-a novamente na geladeira.

Parecendo um pouco mais seguro, sentou-se num banquinho e pediu-me que lhe explicasse o que fazia em sua casa na noite de Natal. Ele disse que sabia que Papai Noel eu não era, pois o bom velhinho não existia. Resolvi, então, tentar destrinchar aquele mistério, dizendo-lhe que, na verdade eu estava na minha casa e que ele é que havia entrado sorrateiramente ali, sem ser convidado. Fomos discutindo acaloradamente quem estava na casa de quem, até que, assustado, comecei a desconfiar de que estava discutindo comigo mesmo, ou melhor, com o garotinho gorducho que eu havia sido há tantos Natais passados.

Minha vida toda retrocedeu rapidamente, como num filme ao contrário e eu percebi que, naquela idade, cinqüenta e cinco anos antes, eu estava desolado por haver descoberto que Papai Noel não existia. E que os presentes que ganhava todos os Natais eram comprados pelos meus pais e não deixados magicamente embaixo da grande árvore de natal que enfeitava um canto da sala de estar. E desde então, a esperada festa de Natal havia perdido a magia e o mistério! Pouco a pouco, à medida que minha idade ia aumentando, fui percebendo as desigualdades, o sofrimento, as perdas, tudo enfim, que contribui para tirar dos adultos aquela sensação de que, num passe de mágica, o mundo será melhor.

Escola com professores desinteressados, colegas impiedosos que não hesitavam em tiranizar a vida dos menos agressivos, namoradas volúveis, trabalho excessivo com chefes que não se importavam com as necessidades pessoais dos seus subordinados, exigindo horas extras intermináveis; a cada acréscimo de dificuldades, um pouco mais de magia e sensibilidade nos deixava.

O vigor e a insensibilidade da juventude empurrando para as noitadas de farra, depois as obrigações de um casamento obrigado por uma gravidez indesejada, aliadas à decepção da morte prematura do filho indesejado, com o progressivo afastamento dos cônjuges até que cada um resolvesse tomar o seu próprio caminho, tudo isso empurrou para trás de uma parede de esquecimento as noites de fé e de esperança de um garotinho gordinho que, até os sete anos ainda acreditava em Papai Noel.
E ali, há cinqüenta e cinco anos, começava a tomar forma o homem que, nesta noite chuvosa e quente, estava na cozinha da sua casa, conversando consigo mesmo, com sete anos de idade e ainda com um grande estoque de fé, esperança, afetuosidade, compaixão e tudo o que fora deixando pelo longo caminho de sua vida.

Senti um enorme aperto no peito, lágrimas desaparecidas há tanto tempo, surgiram como por encanto e umedeceram meus olhos que olhavam fixamente para aquele garotinho gordinho que, de repente, abriu os braços e aconchegou meu corpo cansado em seu peito infantil. Uma onda de amor percorreu meu corpo enquanto as lágrimas lavavam minha alma dolorida. Deixei-me confortar pelo pequeno e, não sei mais desde quando, resolvi deixar as lágrimas se transformarem em soluços que aos saltos, foram retirando do meu coração toda a amargura acumulada, preparando-o para receber novamente todos os bons sentimentos que um dia habitaram meu coração infantil.

Foi então que percebi que os últimos movimentos do Bolero preparavam o término triunfal da composição de Ravel e que o pequeno gordinho que me abraçava diminuía sensivelmente até caber em minhas mãos, com os bracinhos abertos e um sorriso triunfal em seu rostinho corado. Levei-o com carinho para a sala e, sobre uma mesinha, preparei-lhe uma caminha com um pouco de palha tirada de uma caixa de vinho. Lá fora a chuva parou e, pela grande janela envidraçada da sala, vejo, no céu, uma estrela brilhante.

Volto à minha poltrona predileta e sento-me, com o coração leve e uma oração nos lábios. Adormeço.

Abro os olhos preguiçosamente, um fio de suor escorre pelo meu peito; abro os braços e me espreguiço, bocejando com vontade. Percebo que dormi na poltrona. Lá fora, um dia ensolarado faz com que as gotas de chuva pendentes das plantas brilhem como pequenas estrelas. Ou pequenos diamantes. Na mesinha ao lado, percebo surpreso, uma pequena imagem do Menino Jesus que me observa sorrindo e com os bracinhos abertos. Como se me desejasse Feliz Natal!

Ajoelho-me e, como não fazia há mais de cinqüenta anos, oro com fervor. E enquanto lágrimas de amor e gratidão escorrem-me dos olhos, agradeço àquele menino por tudo o que fez por mim. E por todos.







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Notas:
Agradeço aos amigos que ainda passam por aqui.
E àqueles que não passam mais também.
Este conto é dedicado a todos.

Ao ANDRÉ:
você continua sendo um amigo muito querido.
Só preciso que passe o seu e-mail correto para poder fazer contato.


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20/09/2010

Respeitável público!

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Quando eu era pequeno, uma das maiores alegrias da criançada era a chegada de um circo perto de casa. A alegria tomava conta dos nossos corações que passavam a semana toda se enchendo de expectativas e aguardando o fim de semana para ir ao circo. E a recompensa era certa! O apresentador sempre se dirigia ao público com a seguinte expressão: “Respeitável público...” E apresentava os números que nos traziam o mundo encantado dos malabaristas, equilibristas, mágicos, alguns animais e, sempre... os encantadores palhaços! Os anos se passaram e o circo, como o conhecemos, chegou ao fim! Aquele circo que nos fazia sorrir, que mesmo com a lona rasgada e o pequeno faturamento, se importava mesmo é com a alegria da garotada, que instalava um clima de magia no ar.


Este ano, como acontece sempre, temos o pleito eleitoral que nos traz de volta, já adultos, a magia do circo. Não é a mesma magia de antigamente, mas o picadeiro está armado e os apresentadores nos dizem: “Respeitável público, nos dêem seus votos para que possamos entrar no picadeiro!” Esse circo é muito rentável, onde uma plêiade de atores transformados em palhaços, malabaristas, equilibristas, cantores, atores e mágicos disputam seus lugares ao sol, de preferência regados a uísque (importado) e dinheiro (muito dinheiro). Esses atores não se importam com a alegria do seu público e sim com a deles próprios.



O que conhecemos agora como “ficha limpa”, aprovado recentemente sob o clamor popular,nada mais é do que obrigação de todos, embora não seja segredo para ninguém, que o “ficha limpa” não garanta a idoneidade dos candidatos, apenas se limitando a conferir o histórico dos mesmos. Mas o que acontece com o crivo das pessoas e dos líderes dos partidos, quando pensam em colocar certas pessoas nas disputas pelos cargos em todo o país, sem exceção? Temos por aí as candidaturas da Mulher Pera, do Tiririca, dos irmãos do KLB Kiko e Leandro, do Ronaldo Esper e do Batoré, preferindo eu parar por aqui, para não estender demais este texto. É um verdadeiro circo ou não é? E o que passa pela cabeça de um cidadão ao aceitar esses candidatos, que nem ao menos sabem o que faz um deputado ou um senador? Na verdade isso nem importa, se levarmos em consideração que os nossos deputados e senadores (muitos deles) também não saberiam responder essa pergunta decentemente.


Eles sabem, sim, enriquecer, empregar familiares e amigos, além de defender interesses de quem financiou sua campanha (veja PCC x Ney Santos, noticiado exaustivamente nos últimos dias) e todos os cambalachos que nós, cidadãos, nem desconfiamos da existência. Mas o que mais me incomoda mesmo não é o fato de comprovar essas candidaturas “estranhas”, mas sim constatar a possibilidade de que eles sejam eleitos.


O nosso povo é tão desprovido de educação e cultura (bases que deveriam ser fundamentais em todas as sociedades), tão desestimulado ao esforço do aprendizado que se mantém na ignorância e se sente agradecido e devedor ao “Grande Pai” que lhe dá “bolsa família, bolsa presidiário, bolsa isto, bolsa aquilo” sem que ele precise se esforçar em melhorar, em aprender, em se instruir. Também, se o próprio presidente da república diz com orgulho não ter estudo, ser filho de mãe que se manteve analfabeta durante toda a vida e revela ser incapaz de ler um livro, quer exemplo maior dessa falta de educação e cultura que já se tornaram endêmicas em nosso país?


Os candidatos, ao fazerem suas propostas eleitorais, prometem aos eleitores mais investimentos na área de assistência social, acreditando que o povo tem fome apenas de comida. Esquecem que para haver uma população saudável, ela precisa, acima de tudo, de instrução para saber evitar o que lhe possa causar mal. Através da instrução, se transforma analfabetos em pessoas capacitadas a ler e entender o que está lendo, a escrever com clareza suas idéias e suas necessidades, ler e entender o que a imprensa escrita e falada mostra todos os dias e, com tudo isso, formar suas próprias opiniões e saber externá-las através do mais poderoso instrumento que possui, que é o voto. Mas isso não interessa aos políticos de plantão, pois é muito mais fácil enganar pessoas sem instrução que geralmente não possuem as informações necessárias para distinguir o que é certo e o que é errado dentro dos discursos dos nossos políticos e, conscientes dos seus direitos, os cobrem dos governantes.



Os candidatos à presidência, não trazem absolutamente nenhuma novidade em seus discursos, em seus “programas” de governo! Todos eles representam a continuidade do “coronelismo”, do “paternalismo”, que parecem incrustados em nossas memórias e em nossos corações. Desses, dois estão no centro do picadeiro, dois rondando pelas arquibancadas e os demais, circulando por fora do Grande Circo, por não terem conseguido ingresso. Portanto, os únicos que nos interessam de verdade, neste momento, são os que estão no picadeiro. Um, que não se decide se é mágico, se é palhaço ou malabarista, não mostra o menor talento para o entretenimento do respeitável público e, mesmo se em seu íntimo guarda o grande e tão esperado Artista, não consegue transmitir nada e fica circulando, como o palhaço que apanha sempre e não bate nunca, com os olhos vendados e as mãos atadas. A outra, representa o palhaço esperto, que se mantém no centro das atenções graças a sua esperteza e, batendo no outro, arrebata o grande público que acaba torcendo por ela e mantendo-a no centro do picadeiro. Ela também está travestida com a fantasia do seu mentor e mestre que é o verdadeiro Grande Palhaço desse circo! Ele sim sabe fazer a criançada feliz, com suas tiradas desinteligentes e espirituosas, suas trapalhadas, suas ligações com os outros Grandes Palhaços de outros Grandes Circos.


E nós, infantilizados pela falta de educação e cultura, que não é privilégio desse Grande Palhaço, mas que vem de séculos de paternalismo-coronelista, acabamos mantendo esses mesmos “artistas” no Grande Picadeiro, eternizando nossas carências e alimentando nossos egos com nossas risadas inocentes e infantis. Aplaudindo qualquer palhaçada, mesmo aquelas que não faríamos em nossas próprias vidas.


E, na falta de opção, acabamos divididos entre o candidato a palhaço que apanha e a candidata que bate. Resta decidir se ficaremos ao lado daquele ou desta. Aquele trabalha no Grande Circo há décadas, tendo representado grandes papéis e conseguido, em seus melhores momentos, trazer sorrisos ao rosto da garotada. A outra passou, meteoricamente, de ilustre desconhecida a atriz secundária no show do Grande Palhaço que é mais ilusionista que outra coisa. Ela não trouxe nenhum sorriso e tem uma história obscura, cheia de boatos (ou fatos?). Ela me parece ser o dedo que falta na mão esquerda de seu mestre. E além deles, temos uma verdadeira constelação de astros e estrelas secundários, que se candidatam aos demais cargos nesse circo que é maior do que coração de mãe. É aí que entram as pessoas mais despreparadas que só querem mesmo é se dar bem, já que seus shows solos não rendem mais boas bilheterias.


Sinceramente, eu não sei onde vai parar tanta gente incompetente! Mas o que mais me assusta não é saber que aceitamos e até apoiamos candidatos fruta, candidatos artistas, candidatos palhaços; o que me assusta mesmo é ver a possibilidade de que eles sejam todos eleitos e, aí sim, poderemos nós, cidadãos brasileiros, pegarmos nossos narizes vermelhos e sairmos por aí festejando a chegada de mais um Grande Circo, com seus números velhos e requentados, sem nenhuma novidade.

Bem, eu não quero continuar sendo taxado de “povo ignorante”, por isso, estou checando muito bem os meus futuros representantes, o que eles já fizeram pelo país, o que se propõem a fazer e vasculhando seus históricos de vida e de atuação. Eu não quero ser conivente com o que vejo em todos os escalões do poder, não quero ser hipócrita a ponto de não perceber a que ponto meus votos poderão nos levar e àqueles que virão depois de mim. Eu quero renovar esse Grande Circo, trazer para o picadeiro artistas que tragam novidades e, de verdade, tragam alegria ao meu coração!

Eu não quero deixar como mensagem a frase: “dia 3 de outubro, coloque seu nariz de palhaço e vá votar!”


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04/05/2010

A V I S O

Olá, pessoal!


Não! Ainda não voltei!

Apenas para o caso de alguém passar por aqui, saber que estamos reabrindo o Palimpnóia, que reestreou ontem, dia 03 de maio, com um delicioso texto da Aline!

Dê um pulinho até lá! Vai valer a pena!

E não esqueça de deixar o seu comentário.


Obrigado, um grande abraço e

até qualquer hora.


Ah! Eu estarei no Palimpnóia no dia 24 de maio!


Não desista! O blog demora exatos dez segundos para abrir!

A "tabelinha" de postagens é a seguinte:


03 de maio = Aline

10 de maio = Jens

17 de maio = Euza

24 de maio = Zeca

31 de maio = Shirley



14/06/2009

CARTA A UMA AMIGA QUERIDA (e a todos os amigos das "Janelas do Zeca")

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E-mail enviado a uma amiga querida - uma das minhas paixões - e cujo texto serve de despedida aqui...





Amiga querida!

O que anda acontecendo conosco? Sempre foi muito triste assistir ao fim de um blog, onde o autor colocou sonhos e esperanças. Onde procurou, encontrou, se decepcionou, foi feliz. Onde colocou parte da sua vida, das suas experiências, do seu conhecimento e até mesmo do seu desconhecimento. Creio que toda a expectativa que nos leva ao impulso de criar um blog é uma energia que gera movimento para a frente, uma contínua procura de realização pessoal, pelo menos naquela telinha que leva a nossa marca. E me pergunto: o que acontece que, um dia, não sem sofrimento (acredito nisso!), tomemos a corajosa decisão de colocar um ponto final em tudo aquilo? Em que, corajosamente, mudamos uma rotina que foi nossa companheira por um espaço de tempo, deixando um espaço vazio em nossas vidas, que até pode ser preenchido por outras coisas, outros interesses, outros afazeres, mas nunca deixará de ser "aquele" espaço que foi ocupado pelo "nosso blog". Em que damos as costas aos nossos "vermelhos", às nossas "janelas", àqueles nomes criados com tanto carinho, com tanta expectativa... não sei. Não tenho respostas, apenas questões. Mas entendo e respeito a decisão tão corajosamente tomada por você, de colocar o ponto final e definitivo no espaço criado para interagir com tantas pessoas que passaram a admirá-la, a amá-la, a procurá-la, a tomá-la como exemplo, inspiração. E também invejo essa coragem! Pois eu não a encontro e deixo as minhas janelas abertas, solitárias, carentes dos meus cuidados e das visitas das pessoas que ajudavam a dar-lhes vida. Quando penso em escrever um texto definitivo para despedir-me dos amigos e visitantes, brota uma última esperançazinha lá no fundo de mim mesmo que impede esse ato e me faz adiar o inevitável. É difícil! Muito difícil jogar a última pá de terra sobre o túmulo de um blog que tanto representou em nossas vidas! Mas é isso que deve ser feito quando a inspiração se vai, a esperança se esconde, os sonhos evaporam e a inércia toma conta da nossa vontade. Talvez seja essa coragem que eu esteja buscando ao redigir este texto dirigido a você que acaba de tomar sua decisão e de agir rapidamente, antes que o arrependimento se abata sobre você. Como você tem sido, ao longo dos últimos cinco anos um dos meus modelos, talvez eu esteja me aproveitando disso para disfarçar a minha covardia e, finalmente, fechar as Janelas do Zeca. Obrigado, amiga! Obrigado pelos anos de companheirismo, de cumplicidade e por todas as coisas boas que você, generosamente, me ofertou. Eu sei que lá no fundinho do meu coração uma chamazinha quase apagada insiste em deixar-me com a esperança de que, um dia, a Fênix que a habita vença ainda uma vez a anunciada morte desse vermelho que tanto nos inspirou. Enquanto isso, deixo-lhe os meus desejos de vida, amor e paixão, que eu sei que são o círculo contínuo que move a sua vida.

E deixo o meu beijo, de ontem, de hoje, de amanhã e de sempre!

Zeca.

Deixo a todos o meu beijo, o meu carinho e, desde já, a minha saudade.




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03/06/2009

Trivialmente

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Os (meus) amores (im) possíveis


Às vezes acordo me perguntando se é possível amar uma pessoa que não nos ama ou que ama outra pessoa, sem chegar a um acordo comigo mesmo sobre a resposta. Ou porque sou suspeito, pois existe a tendência de encontrar respostas que me satisfaçam, ou por não ficar satisfeito com a mais óbvia, que é deixar de lado um amor que apenas me trará sofrimento e desilusão.

Não creio que possamos controlar os sentimentos, muito menos o amor. Podemos até querer amar alguém que nos parece ser o retrato da pessoa que procuramos, mas isso também é impossível, pois a seta do Cupido é imprevisível e, muitas vezes, nos acerta no local e na hora errados.

Então, amigos! Estou novamente no Palimpnóia... se quiser me dar o prazer de ler o texto inteiro, basta seguir o link, clicando aqui ou na palavra Palimpnóia. Depois, deixe seu comentário. Ele é importante para mim e para todos nós.

Por enquanto continuo apenas no Palimpnóia, quinzenalmente. Sempre às quartas.

Obrigado pela sua amizade e pelo seu carinho.

Até breve!



imagem: Sá Fleitas - Mea Culpa

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18/05/2009

Trivialmente

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O homem, o sexo e as fantasias

Um mundo liberado de regras, onde cada um dos nossos desejos mais íntimos pode ser realizado sem qualquer tipo de censura existe de verdade. É um mundo onde temos total liberdade para transformar desejos ocultos em realidade, onde temos absoluto controle sobre tudo e sobre todos. Esse é o mundo particular de cada um, o mundo da fantasia.

O homem, muito mais voltado ao lado racional e prático da vida, também fantasia. E muito! Sosseguem mocinhas! Entre as mais comuns estão as próprias parceiras, dando ou recebendo sexo oral, acompanhadas de outra mulher ou com outro casal. Também a masturbação feminina e o sexo anal encontram-se entre as mais comuns das fantasias masculinas. Como as mulheres têm ainda mais liberdade para fantasiar, a vida do casal pode receber esse aditivo, desde que as fantasias de ambos coincidam e lhes tragam maior prazer e cumplicidade.

QUER LER MAIS? SIGA O LINK CLICANDO AQUI.




Amigos


Ainda não é meu retorno, apenas um ensaio. Estou bem e grato a todos aqueles que têm passado por aqui e deixado palavras de carinho. Continuo escrevendo no Palimpnóia quinzenalmente e hoje deixei lá a crônica cujo início publiquei acima. Deem uma chegadinha lá, leiam e opinem, isso é tão importante para mim! E para todos os que participam do Palimpnóia!
Logo vou publicar aqui o que ando fazendo, como tenho driblado os problemas e administrado o tempo, esse senhor tão implacável, que nos escraviza tanto. Vou contar sobre os meus pais, sobre o Alzheimer e sobre como estamos convivendo com isso. Vou falar também sobre o meu trabalho e o sucesso da exposição que ainda permanece, até o próximo dia 22 de maio lá no Espaço Cultural do Banco Central do Brasil, na Av. Paulista, em Sumpaulo. A galeria permanece aberta todos os dias, das 10h às 16h e vale a pena conferir.

Deixo beijos e abraços. E muito carinho.

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31/03/2009

Dúvidas

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Eu não aguento mais essa tortura! Primeiro vieram as fadas, os duendes, os gnomos! Foram invadindo a minha casa, a minha vida, o meu ser! Depois, pouco a pouco, ele foi tentando apropriar-se de minha alma. Foi se instalando dentro de mim, ocupando cada cantinho que encontrasse e me expulsando para um lugar sombrio, que eu nem ao menos reconhecia. Covardemente fui me encolhendo, me deixando dominar. Ele, se fortalecendo, criando vida própria, tomando conta de tudo e de todos. Até meus amigos se encantaram com ele! Depois foi a vez de expulsar os seres da natureza, que estavam ali para dar um contrapondo mais leve às agruras que a vida adulta traz consigo. Expulsou-os para locais desconhecidos. Ele mesmo foi se transformando. O doce e meigo garotinho cresceu e perdeu a suavidade. Ganhou em malignidade disfarçada pelo sorriso farto e os olhos brilhantes. Mas eu o via, do meu canto escuro e úmido. Percebia todos os seus movimentos e todos os disfarces usados para seduzir pessoas. Transformou-se num jovem sedutor, ao qual todos se rendiam, como eu mesmo havia feito.

Enquanto acompanhava o seu desenvolvimento, imaginava formas de lidar com ele. Mas nenhuma das minhas maquinações foi suficiente. Ele as vencia, uma a uma. E foi seguindo seu caminho, anulando-me cada vez mais. Sentia que estava perdendo minha própria identidade. Estava sendo transformado numa horrenda caricatura dele. Pouco a pouco ele acabaria tomando posse do meu corpo. Da minha vida. Da minha alma. Algo precisava ser feito. Reunindo o pouco de forças que ainda me restava, consegui lançar um sinal de socorro, que uma amiga, mais atenta, percebeu e respondeu, através de sinais, lançando a ponta da corda com a qual eu conseguiria libertar-me do cativeiro, tendo então a sonhada oportunidade de lutar contra ele.

Livrou-se do filho gerado, não o assumindo e entregando sua guarda aos pais da moça. Saiu aliviado e pronto para novas aventuras. Foi para o exército onde, em plena ditadura, cativou a todos, inclusive o amor de Regina, de quem acabou se enamorando, e destruindo. Morou com sua antiga namorada, Arlete, que largou tudo para segui-lo, até que, cansado, dispensou-a friamente, deixando mais uma presa em sua trilha. Conheceu outras pessoas, teve outras experiências e foi deixando, por onde passava, outras vítimas dos seus encantos. Com o passar do tempo, mais encantador e maligno ele se tornava. Crescia e, atrás do sorriso cativante, corações iam sendo destruídos. Havia se transformado num monstro. Alimentava-se do mal que espalhava. E quanto mais vivesse mais aumentaria seu campo de destruição.

Estava claro que algo precisava ser feito. Ele era um daqueles personagens criados numa bela manhã de inverno, que conseguiam criar vida própria, livres de qualquer controle. Até praticamente deixar o criador anulado, esquecido de si próprio, pois sua personalidade forte ia se alastrando, inicialmente restrita àquela sala, mas pouco a pouco, tomando conta de tudo e de todos. Ele já andava pelas ruas, fazia novos amigos, angariava outras simpatias. Era preciso fazer algo urgentemente. Foi quando, num ímpeto de coragem, acordei de um sonho ruim e o prendi numa armadilha. Seu ponto fraco é que, à medida que se tornava mais humano, ia desenvolvendo hábitos comuns, como o de dormir. Peguei-o durante o sono, com um beatífico sorriso nos lábios, mais parecendo um lindo anjo descansando. Prendi-o com grossas correntes, dentro de um cofre forte, do qual apenas eu conheço o segredo. Agora ele está lá, se debatendo para sair.

Eu sei que não posso fraquejar. Ainda o amo, pois é minha maior criação. Mas estou ciente de sua desvirtuação, de seu descontrole. Não decidi ainda o que fazer. Talvez o lance em alto mar, sepultando de vez quem hesito em renegar. Talvez crie um espaço fechado, exclusivo, de onde não poderá sair. Precisa ser um local seguro, do qual apenas eu tenha a chave e cuja fechadura se abra apenas pelo lado de fora, para que não consiga fugir e espalhar mais maldades por este mundo já tão saturado de horrores. Minha amiga sugeriu duas possibilidades: a primeira, quase inviável devido aos seus encantos que sempre acabam me enfeitiçando seria terminar logo sua história, colocando o ponto final. A segunda, seria criar um local onde ele pudesse existir, apenas seu e de mais ninguém. Ainda não estou certo, pois o coração de um criador não é imune à sua cria, seja ela anjo ou demônio.

:-)*(-:


Estou enfrentando grandes dificuldades com o meu tempo. Não tenho conseguido visitar os amigos, não tenho conseguido parar para escrever, não tenho conseguido pensar em nada novo para postar. O Alzheimer do meu padrasto está progredindo, minha mãe precisando de um pouco mais de força e o artista que represento está em fase de ascensão, com novos convites e, consequentemente, mais trabalho para mim. Agora mesmo estou trabalhando na preparação da nova exposição (de 06 a 22 de maio, no Centro Cultural do Banco Central, em São Paulo). Aproveito as constantes viagens a São Paulo para estar um, dois dias com meus pais. Mais, não tenho como fazer. Tenho sentido uma enorme pressão sobre mim e preciso fazer algo em meu favor. Cortando algumas coisas, mesmo que temporariamente. Com lágrimas nos olhos digito estas palavras; com um aperto no peito digo que vou parar por algum tempo. Eu volto! Nós sempre voltamos! Não deixarei de visitar os amigos, sempre que possível, mas minhas janelas continuarão abertas, embora sem novas postagens por algum tempo.

Deixo meu carinho por todos e minha gratidão pelas belas amizades que aqui conquistei. Isto não é uma despedida; é apenas um até breve.


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27/03/2009

Hoje é dia de festa!!!

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Tá tudo preparado e os amigos estão começando a chegar.
Esta festa é pra vocês, que estão sempre comigo.




Vamos comemorar, brincar e dançar até amanhecer.
Que todo mundo se divirta.




Tem bolo de chocolate pra todo mundo.




Esta é uma festa de um ariano.
E dedicada a todos os arianos.




Todos prontos para a diversão?
Então, comecemos pelos brindes!
Feliz Aniversário pra todos nós!

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25/03/2009

Da Revolução Industrial à Era dos Blogs

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Desde a Revolução Industrial, que substituiu a ferramenta pela máquina, a burguesia se solidificou juntamente com o capitalismo. Foi um momento altamente revolucionário, de passagem da energia humana para a motriz, ponto culminante de uma evolução tecnológica, social e econômica, que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média. Tudo isso se tornou possível a partir da invenção da máquina a vapor, além de um salto tecnológico que, juntos, acabaram impulsionando a industrialização mundial.

A partir daí, a velocidade com que os acontecimentos se deram só fez aumentar, atingindo velocidades impensáveis para nossos pacatos antepassados. O desenvolvimento tecnológico desenfreado implicou na necessidade de mais e mais informações, se processando cada vez mais rapidamente, culminando com as informações em tempo real que hoje a internet nos proporciona.

Não faz muito tempo em que era normal se inteirar do que acontecia no mundo pelo jornal matutino. Hoje, esses jornais servem mais para analisar as notícias do que propriamente informar em primeira mão. Essa informação temos instantaneamente, muitas vezes sem a preocupação com a qualidade da noticia. Não importa o veículo, se cabo ou internet... o que importa mesmo é a velocidade com que ela é divulgada.

E a internet, até o momento, é o topo desse desenvolvimento tecnológico, que nos conecta com o mundo inteiro instantaneamente. Através da internet podemos conversar ao vivo com pessoas do outro lado do planeta, trocar informações e nos mantermos informados sobre tudo o que se passa em qualquer país, por mais distante que esteja.

Parece-me que o século XXI será o “século da internet”.

Com o advento da rede mundial, em que todos podem participar, publicar e gerar conteúdos, os blogs surgiram como a principal ferramenta deste fenômeno, democratizando definitivamente o acesso de todos à comunicação. No Brasil, estima-se que 25% dos internautas brasileiros leiam blogs todos os dias em busca de informação, divulgação ou entretenimento.

Os hábitos de aquisição de informação vêm mudando radicalmente desde o surgimento da imprensa, do telégrafo, do telefone, do rádio e da televisão. A cada nova invenção, o homem ansiava por um pouco mais de informação disponível. Até a aparição da internet, onde temos infinitas possibilidades e fontes de informação. E esta última mudança foi tão repentina que a maioria de nós, adultos, ainda se lembra da época em que os computadores eram máquinas ligadas à ficção científica.

Com a blogosfera, um contingente praticamente ilimitado de leitores de um lado e escritores de outro, surgiu a oportunidade de não apenas procurar pela informação, mas também de criá-la, através dos milhares de escritores que surgem todos os dias. São milhares de novos blogs sendo criados a cada dia, onde encontramos, além de informações “jornalísticas” sobre os acontecimentos cotidianos, podemos nos surpreender com novos e ótimos poetas, dramaturgos, cronistas e até humoristas.

Eu estou na blogosfera há aproximadamente seis anos e posso dizer que isto aqui é viciante. Já fechei dois blogs e acabei retornando, pois não sei se conseguiria viver normalmente sem minha passadinha diária pela net. E confesso que preciso me policiar para não adicionar todos aqueles que vou encontrando pelo caminho e cujos assuntos e qualidade me causaram interesse. Acompanhar apenas aqueles que já conheço já é difícil devido à velocidade com que o nosso tempo passa, imagine se outros forem sendo incluídos, sem freio nenhum...

Agora eu pergunto: e você? Como vê tudo isso?

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23/03/2009

Relacionamentos on-line

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Mais que um fenômeno atual, os relacionamentos via internet estão se expandindo a olhos vistos. São relacionamentos românticos, de amizade, de troca de informações e até comerciais.

Com isso, as normas sociais e morais estão passando por um relaxamento, devendo impor um novo padrão ético. Por outro lado, deverão provocar um aumento da imaginação e da capacidade intelectual média das pessoas, pois existe uma grande diferença entre a realidade e o ciberespaço, onde a imaginação é importantíssima, especialmente para imaginar “como o outro é”.

Quer continuar a leitura? Clique aquí. E, por favor, deixe lá o seu comentário. Ele é muito importante para mim e para os demais integrantes do grupo.

Você já sabe:
dia sim, dia não, uma nova crônica para sua satisfação.

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18/03/2009

Aurora

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Vagueava desesperado, tendo como companhia os uivos do vento. Negras nuvens encobrindo a lua, apenas a escuridão em meu caminho. Meus olhos, enegrecidos por lágrimas doloridas permaneciam fechados, se desmanchando num rio de lágrimas amargas. O coração, num laço apertado queimava meu peito e o frio era minha mortalha. Estava completamente só, sem amigos, sem amor, sem ninguém. Quando a desesperança atingiu seu ponto mais agudo, minhas asas foram parando de bater e me deixei cair ao lado de um rio escuro e choroso. O ruído das águas correndo em busca de um destino desconhecido foi preenchendo minha mente cansada e, finalmente, um pouco de paz abateu-se sobre mim. O triste canto das águas do rio foi tomando conta dos meus sentidos e, pouco a pouco, nos tornamos um. Eu e o rio. Seguindo, chorosos, em busca do desconhecido.

Um raio de luz criou um mágico reflexo no meio do rio. Meus olhos ainda rasos d’água procuraram aquele único brilho em meio à escuridão. Pouco a pouco, na água, o que antes era apenas um canto triste ganhava forma, mostrando tênues relevos, alterados constantemente pelo risco de luz. Era a Lua, numa guerra surda vencendo a barreira de nuvens escuras e enviando um sinal amigo, de conforto. Apeguei-me àquele sinal e meu coração foi-se apaziguando, minhas lágrimas secando. Aos poucos as inamistosas nuvens negras foram abrindo espaço para o brilho da luz, até que esta, triunfante, mostrasse todo seu esplendor. O rio já não era tão tristonho, suas águas pareciam inebriadas pelo luar, mudando o tom lamentoso do seu canto para um som mais ameno, sereno. Uma a uma, as damas de companhia da Lua marcavam presença, pontos luminosos, transformando a paisagem e acalmando o meu coração.

Levantei-me e inspirei. Fundo. Soltei, num som de lamento, todo o tormento que habitava meu corpo, todo o sofrimento que apertava meu coração. E me pus a caminho.

Seguia o curso do rio, a trilha de luz sobre as águas, o canto ameno, o cheiro de mato. Já não mais ventava. Minhas asas foram se alongando, retomando suas cores e se abrindo sobre mim, elevando-me suavemente em busca do meu destino. A brisa se juntou ao rio fazendo música suave.

O coração doía ainda, mas a alma estava em paz. O corpo solitário se arrepiando levemente com a carícia da brisa da madrugada. E o som das asas batendo se juntou ao do rio e da brisa, harmonicamente, inconsciente.

O rio corria e cantava, acompanhado pela brisa e pelo som abafado das minhas asas. Meus olhos, agora secos perscrutavam o longínquo horizonte, iluminado pela Lua amiga e por suas damas de companhia. Mas, o que seria aquela luz ao longe?

Não era reflexo da Lua, nem tinha a cor das estrelas. Era mais amarelada, mais fixa. Enquanto me aproximava fui percebendo a silhueta de uma casa entre árvores. De uma janela aberta, ladeada por uma trepadeira em flor, que exalava suave perfume, saía aquela luz que me atraía, traindo a companhia da Lua. Com o olhar fixo para dentro daquela janela aberta vi alguém, ao lado de um abajur solitário que iluminava um vaso com copos de leite. Meio sentado, meio deitado naquela poltrona, um homem respirava a duras penas e dois olhos escuros procuravam, no vazio, por um raio de luz. Acerquei-me dele colocando uma mão sobre sua testa, enquanto a outra energizava seu coração.
Sua respiração foi se normalizando até que, num doce suspiro, seus olhos encontraram os meus. Seu olhar trazia tanta dor, tanto sofrimento que, esquecido dos meus, sorri docemente e convidei-o a me acompanhar.

Ele começou a se levantar devagar e enlacei-o em meus braços, num delicado abraço, levando-o comigo. Voamos juntos sob um céu festivo, com o séqüito da Lua seguindo-a enquanto, a leste, um clarão alaranjado anunciava a Aurora. Pousei na encosta de uma montanha, de onde se avistava o rio que me guiara e me despedi da amiga Lua, agradecendo sua companhia. Ela beijou levemente a testa do meu companheiro e com um sorriso doce afastou-se de nós. À chegada da Aurora, a paisagem prateada que me acompanhara foi se colorindo e, ao som do rio e da brisa foram se juntando novos e alegres sons matinais.

Comecei então a despir lentamente meu novo pupilo e seus olhos foram deixando que se esvaíssem toda a dor, a tristeza e o sofrimento que os tornava escuros. Foi adquirindo os tons da manhã, me olhando com carinho, me trazendo consolo. Já desnudado, apertei o seu corpo num abraço envolvente e fui retirando das suas costas os raios da luz da manhã que foram se transformando em asas coloridas. Como as minhas. E num beijo amoroso selamos nossa amizade e atamos nossas vidas que seguiriam unidas. Até quando? Não sei.


Nota: este conto foi publicado em 03/07/2004, escrito em homenagem ao Pedro Nascimento, um amigo português, que há muito sumiu da blogosfera... saudades, Pedro!

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11/03/2009

Desejos e Sonhos

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Chegou devagar, olhando demoradamente para a imensidão do mar. Um grupo de crianças brincando com areia e algumas mulheres conversando sobre esteiras estendidas. Mais nada. Sentou-se, tirou as sandálias e ficou curtindo o toque frio da areia úmida em seus pés. Seus olhos perdidos no horizonte não viam a cor do mar, sonhavam com outras paisagens. Seus pensamentos traíam suas feições praticamente imobilizadas. Em uma tarde ensolarada, com os cabelos revoltos pelo vento, suas pernas não conseguiam mais sustentar o corpo cansado de tanto caminhar por uma trilha que cruzava a montanha. Deixou-se descansar uns momentos sobre uma pedra, ao lado de um riacho cantante que rasgava o verde. Seu cantil, quase vazio, saciou sua sede e o lenço marrom secou o suor que umedecia sua testa. Subitamente um som entre todos despertou sua atenção. Eram vozes alegres, um grupo de jovens que chegava. Vinham alvoroçados, desfazendo o encanto daquela solidão escolhida. Garotas e rapazes vinham chegando pela mesma trilha e, com a simpatia dos jovens sorriram, acenaram e se aproximaram do córrego em algazarra. Um deles, mais calado, ficou à margem das brincadeiras, destacando-se pela seriedade. Seu olhar era vago, não se fixando em nada, não mostrando emoções. Sentou-se em outra pedra e ali ficou, absorto em seus pensamentos. Observado sem perceber, o jovem calado mais parecia uma escultura em um jardim. Sua pele clara indicava que não tomava muito sol. Suas mãos delicadas, dedos finos e longos, descansavam, cruzadas, sobre os joelhos. As pernas, libertas pela bermuda, mostravam uma penugem dourada. Os cabelos, castanhos, caíam sobre a testa alta. Enquanto o observava atentamente, seus sentimentos foram enternecendo seu coração e uma sensação desconhecida começou a tomar forma em seu íntimo. Nunca se ligara a rapazinhos, pelo contrário, sempre preferira os homens feitos, adultos experientes. Nem mesmo na mais tenra idade quisera contato com jovens da sua idade. Seu primeiro namorado era pelo menos oito anos mais velho. Mas aquele garoto chamara e fixara sua atenção, não sabia por que. Emanava dele algo especial, como se fosse uma aura, um odor diferente, um som surdo, um ar de entrega. Começou a desejá-lo. Ainda não sabia como, se queria acariciá-lo como um filho, embalá-lo em seus braços, beijar suas faces tão claras. Talvez quisesse extrair daqueles lábios vermelhos um sorriso, ou daqueles olhos profundos um brilho especial. Mas, à medida que analisava seus próprios sentimentos, começou a perceber um desejo mais ardente que aquecia suas entranhas. Gostaria mesmo de envolvê-lo em um abraço sensual, percorrendo sua pele com mãos curiosas, extrair daqueles lábios vermelhos um gemido de prazer, ou daqueles olhos profundos um brilho de amor. Ansiava pelos jogos de sedução, de conquista. Queria sentir seus corpos se fundindo, suas peles se roçando, seus suores misturados entre beijos e carícias sensuais. Desejava aqueles lábios vermelhos percorrendo sua pele, umedecendo e arrepiando sua nuca, extraindo profundos sons de prazer. Desejava aquelas mãos claras de dedos longos, tocando seu corpo como se fosse um instrumento musical, para comporem, juntos, uma sinfonia de amor. Queria a entrega total, os corpos transformando-se em um para, depois de um bailado ansioso, explodir de emoção e prazer. Enquanto sonhava, não notou que o grupo que estava no riacho voltava, chamando o amigo para seguirem caminho, despedindo-se com alegres risadas. Seguiram caminho e, com eles, se foi seu amado, deixando aquela profunda sensação de solidão, aquela angústia de amor não correspondido, de desejo não consumado. Seu corpo quente foi trespassado por um arrepio, como se um enorme vazio engolisse sua alma. Seus olhos, perdidos na trilha que descia até a praia nada mais enxergavam. Nenhum som de vozes ou de risadas se ouvia mais. Apenas os sons de uma mata rala, num fim de tarde, em total solidão. Passado o torpor, resolveu segui-los voltando pela trilha em direção à praia, onde um grupo de crianças brincava com areia e algumas mulheres conversavam sentadas em esteiras.

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07/03/2009

Dia Internacional da Mulher

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Como todos sabem, no dia 08 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data em que todos homenageiam as mulheres que mais se destacaram em todas as áreas da vida.

Eu quero homenagear todas as mulheres através da homenagem que presto a uma única mulher muito especial. Ela tem se destacado, para mim, através de suas muitas qualidades, que venho descobrindo dia-a-dia. Pra começo de conversa, ela é filha e mãe, além de ser uma prendada dona de casa, que lava, passa, cozinha, cuida do jardim e até pequenos reparos de manutenção ela faz. Mantém um blogue, através do qual distribui carinho e cultiva fortes amizades. Sua simpatia faz com que todos gostem dela. É uma linda mulher, que se cuida, se embeleza e distribui beleza ao seu redor através dos desenhos que faz. Foi casada mas não mede esforços pelo bem estar do ex-marido de quem é grande amiga e com quem tem uma linda filha. É uma mulher forte e guerreira. E tem um cãozinho chamado Zeca.

Essa mulher que, tenho certeza, todos já sabem quem é, aniversaria hoje. Não poderia ser em outra data. E quero deixar aqui registrada a grande admiração que sinto por ela, o imenso carinho que rege a nossa amizade e os meus votos de que seja sempre muito feliz! Que nesta data todos os anjos do céu e aqueles que estiverem aqui pela Terra se reunam para saudá-la, reverenciá-la e homenageá-la. Eu, certamente, não sou um deles, mas é o que estou fazendo.

Feliz Aniversário, Beti Timm!


Que toda ventura que te desejo hoje se perpetue em sua vida! Que seus sonhos sejam realizados e seus caminhos revestidos de pétalas de flores!





Amanhã, 09 de março, é dia de texto meu lá no Palimpnóia.
Apareça, leia e comente lá mesmo. Eu e meus companheiros agradecemos.

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02/03/2009

Virando páginas

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Um rosto inexpressivo, envelhecido, com olhos cansados e parados, respiração suspensa, sob cabelos desalinhados se refletia naquele espelho coberto de marcas do tempo. Corpo enterrado sob o edredom, deixando à vista apenas a cabeça coberta de cabelos mal tingidos. Penosamente o corpo vai se virando e os olhos cansados param no travesseiro vazio ao lado, mostrando uma solidão tão grande, que dificilmente se conseguiria preencher. Lentamente ela tira as mechas de cabelo da testa e começa a levantar-se. Seus pés procuram os chinelos, velhos como ela, e se enfiam neles, sentindo um pouco de conforto. Puxa dos pés da cama, o penhoar desbotado e o coloca com dificuldade, amarrando a faixa numa cintura que já não existe. Abre gavetas e coloca numa maleta antiquada algumas peças de roupa, escolhidas aleatoriamente. Precisa sair dali. Daquela casa onde viveu os últimos trinta e oito anos, que viu crescerem os seus filhos, de onde eles saíram para criarem novas famílias. Toma um banho rápido e, sem grandes cuidados com a aparência, pega a maleta, fecha a casa e sai. Na cidade, se perde procurando a rua onde mora seu filho, sua nora e netos. Sempre havia ido de carro, com o marido e nunca precisara prestar atenção ao endereço. Finalmente encontra a casa e toca a campainha. Após intermináveis minutos, aparece a nora com os cabelos molhados e uma toalha enrolada no corpo. Surpresa, convida a sogra para entrar e pede desculpas, pois precisa deixar as crianças na escola e correr para o escritório. As crianças gritam nos fundos da casa e, quando aparecem, custam a reconhecer a avó. Depois de alguns minutos, ela está sozinha na casa do filho. Na hora do almoço o filho passa ràpidamente para lhe dar um abraço, mas logo se vai, pois está trabalhando e não pode ausentar-se por muito tempo. Ela resolve ir procurar a casa da filha solteira, que mora num pequeno apartamento com seu próprio filho, feito como "produção independente". A filha também está apressada e agradece por ela ter aparecido, pois poderá ficar com o neto para que possa sair à noite sem preocupações com horários ou cuidados com o garoto. E ela fica novamente sozinha na casa da filha, com um neto que não a reconhece. Mas acabam se entendendo. Cuidados e carinhos de avó abrem corações de netos. À noite, o menino, assustado com a ausência da mãe, se enfia na cama da avó e dormem abraçados. E assim vão se passando os dias, entre as casas dos dois filhos, sempre ocupados, correndo atrás de suas próprias vidas e sem tempo para a mãe que, em contrapartida, cuida ora de um neto, ora da roupa da neta, ora do lanche dos garotos. E assim vão se passando os dias. Até que uma noite, não conseguindo dormir, vai até a cozinha buscar um copo de água e ouve uma discussão entre o filho e a nora, que exige do marido que despache logo "aquela mulher" de quem ela nunca havia gostado. E ele, entre a cruz e a espada, implora à esposa que seja paciente, pois seu pai acaba de falecer e é normal que a mãe esteja um pouco perdida, um pouco carente. Sua mulher corta os argumentos com a seguinte frase: “a vida dela já se passou! Ela já fez tudo o que tinha que fazer. Que fique agora em sua casa curtindo seu luto e nos deixe cuidarmos das nossas vidas que estão apenas começando". Chocada, aguarda o amanhecer e vai até a casa da filha que a recebe com a notícia de que conseguiu uma transferência para outra cidade e até um ótimo colégio semi-interno para o filho. Só lhe resta recolocar seus poucos pertences de volta na maleta antiquada e voltar para sua velha casa, onde viveu metade de sua vida. Mas ela não se sente acabada! Não se sente no fim! Se sente viva, capaz, cheia de desejos de fazer coisas que nunca havia podido fazer antes. Ela não tem o espírito perdedor daquelas que vestem luto e sentam ao lado da janela aguardando a vida passar. Tira um extrato no banco, faz as contas de sua aposentadoria mais a do marido e percebe que pode viver muitas coisas com aquilo. Abre gavetas e armários, seleciona cuidadosamente novas roupas, arruma-as cuidadosamente na mesma maleta antiquada e sai novamente de casa. Vai até uma agência de viagens e fecha um pacote. Instala-se num pequeno hotel até o dia da partida e sem avisar a ninguém, embarca para uma viagem que deverá durar quase dois meses.
E ninguém deu pela falta dela!

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22/02/2009

Uma noite no Sambódromo

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Estava lembrando a última vez em que estive no Sambódromo do Rio para assistir ao desfile das Escolas de Samba, uma experiência inesquecível! Desde a chegada já sentimos o clima de festa e de alegria que pairava no ar e podia ser vislumbrado em todos os rostos das pessoas que se dirigiam aos camarotes ou às arquibancadas. Eu fui para uma das arquibancadas. Não recordo número, setor, mas estávamos bem localizados, com uma excelente visão de todo o percurso que as escolas fariam durante os desfiles. A continuação desta crônica você pode ler aqui. E não deixe de comentar lá mesmo, sua opinião é muito importante para todos nós.





E se não leu o post anterior, onde falo sobre meu envolvimento atual com o carnaval, leia. E opine.
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18/02/2009

Eu e o carnaval

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Existem momentos na vida em que a gente conclui que já fez de tudo, experimentou o que teve vontade, curtiu todos os momentos. É aí que percebemos que vivemos uma boa vida, em toda sua plenitude, com um saldo bastante positivo, saldo esse que nos permite decidirmos apenas fazer aquilo que realmente tivermos vontade daí para a frente.

É o meu caso com relação ao carnaval. Quando jovem, fui a todos os bailes que quis, dancei em clubes e também nos blocos de rua. Com ou sem namorada, não faltavam as imprescindíveis companhias femininas para alegrar ainda mais minhas festas. Aliás, naquela época o carnaval era mesmo uma grande festa, com pouquíssima violência, onde as drogas pesadas, se existiam, eram usadas discretamente. Nos salões imperavam as grandes orquestras, com seus metais e crooners, que, além da animação dos foliões, garantiam um show de interpretação para os que, cansados, ficavam em suas mesas bebericando, namorando ou simplesmente curtindo a grande festa de alegria.

Havia o que se chamava de “guerra de serpentinas e confetes”, com aquelas atravessando o salão, cruzando-se sobre nossas cabeças. O confete era como chuva miúda e colorida, que invadia até mesmo as mais íntimas partes do vestuário. Era comum, no dia seguinte, encontrar confetes colados nas cuecas, dentro dos sapatos, no meio dos cabelos. Havia o lança perfume, depois proibido, mas que era borrifado nos outros foliões, deixando aquela sensação geladinha na pele. Algumas pessoas costumavam espirrar discretamente nos lenços e aspirar, mas era coisa pequena perto do que fazem os foliões de hoje, com drogas muito mais pesadas.

Nas ruas, a alegria era geral. Blocos desfilavam, aplaudidos pelas famílias que ficavam nas calçadas, velhos, adultos, crianças, todos se divertindo em comunidade. Havia poucas escolas de samba, mas onde passava uma, era um espetáculo inesquecível, com seus carros alegóricos e suas fantasias mais elaboradas. Os foliões se preparavam o ano inteiro para, nos dias de carnaval apresentar o seu espetáculo para o povo, sem disputas, sem premiações.

Isso tudo mudou, já nem sei se existem os bailes em clubes, como antigamente. Os blocos continuam, mas hoje, muitos dos foliões estão bêbados ou drogados, a evolução é em ritmo mais frenético, conforme os tempos atuais. As escolas estão reguladas, apresentam-se em sambódromos, têm tempo certo para percorrer o espaço determinado e objetivando a primeira colocação. Muitos torcedores (antes, foliões) nem aceitam um segundo ou terceiro lugar, como se isso fosse caso de honra, de vida ou morte. A apresentação das escolas, especialmente no Rio e em São Paulo, transformou-se num grandioso espetáculo. Belíssimo, reconheço. Mas sem a poesia e o lirismo de antigamente.

Existem os carnavais de outros estados, de outras regiões, com suas características próprias. Infelizmente, sobre eles nada posso dizer, por não conhece-los, por não ter tido a felicidade de curti-los. Conheço apenas os do Rio e os de São Paulo. E o daqui de Paraty, que já foi muito melhor. Hoje, nem escola de samba temos mais. Apenas alguns blocos que fazem a alegria do povo.


Por tudo isso, hoje sou mais de me divertir com a alegria alheia. Gosto de ver os desfiles das escolas de samba pela TV, embora seja cansativo ficar uma noite inteira no sofazão. Adoro ir ao Sambódromo, mas infelizmente não é toda vez que posso fazer essa estravagância. Mas gosto mais como espetáculo do que propriamente como carnaval. Claro que o carnaval está inserido no contexto, mas não vou participar da festa, vou ver e sentir o “maior espetáculo da Terra”.


Então, meu programão no carnaval é perambular pelas ruas de Paraty, me divertindo com os blocos de fantasias, de crianças e de bonecos que alegram a cidade e, no sábado de carnaval, não perco o “Bloco da Lama”, onde centenas de pessoas se enlameiam num local de lama negra e saem sujos e enfeitados com galhos, chifres, tecidos grosseiros e tacapes, num espetáculo único e belíssimo em seu conjunto.

Como vê, não preciso de mais do que isso. Já curti muito o reinado de Momo, hoje, quero mais tranquilidade, alguma diversão e muita, muita companhia, bons papos, boas risadas com os amigos. Essa é minha grande diversão no carnaval.



Lembrete



Não esqueça de visitar-nos aqui. Dia sim, dia não, uma nova e saborosa crônica à sua disposição.





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12/02/2009

Trio


Ele a olhava enquanto ela puxava o zíper do vestido lilás e virava-se lentamente. Ele a olhava pelo espelho daquele quarto de motel onde, momentos antes, haviam se tocado intimamente, entre frases entrecortadas de gemidos.
Ele disse que o vestido era muito bonito e ela, com uma mesura zombeteira, agradeceu enquanto se sentava na beirada da cama para deslizar as meias de seda pelas pernas torneadas, antes de calçar os sapatos com saltos altíssimos. Com sua maquiagem leve e o batom vermelho, ela parecia ainda mais bonita. Seus gestos firmes mostravam uma mulher decidida e moderna, que não se importava em sair sozinha do motel, deixando o homem com quem estivera, nu no quarto. Ele puxou sua cabeça e, com cuidado para não estragar o batom, beijou-a levemente nos lábios.
Ao lado da cama, sobre a mesinha de cabeceira, duas taças de cristal de segunda continham restos de champanhe. Ao lado das taças, o relógio de pulso dele, os óculos, chaves e a carteira de documentos. Numa cadeira, o jeans desbotado e uma camisa jogada displicentemente. A cueca estava no chão, ao lado dos sapatos mocassim.
Ela se levantou, balançou de leve a cabeça para soltar melhor os cabelos e, com as mãos, alisou a seda do vestido sobre o corpo sinuoso. Olhou-o e riu. Apanhou a bolsa, virou o corpo diante do espelho mais uma vez e, satisfeita com o resultado, acenou e saiu. No ar, pairava ainda o seu perfume levemente apimentado.
Ele se deixou ficar sobre os lençóis revolvidos, pensando ainda nos momentos de prazer que tivera há tão poucos minutos. Esses pensamentos provocaram-lhe uma leve excitação e suas mãos começaram a acariciar o falo endurecido. Aos poucos, o prazer foi tomando conta do seu corpo até esvair-se em uma erupção espalhada sobre seu abdômen.
Ele se levantou lentamente e dirigiu-se ao banheiro. Após a ducha, voltou para o quarto e começou a vestir-se. Era necessário que retornasse à sua casa, à sua família, à sua vidinha comum.
Ao dobrar a esquina da rua em que morava já viu sua esposa parada junto ao portão, trocando fofocas com as vizinhas. A cabeça, aumentada pelos bobs e um lenço colorido, era dividida por um nariz longo que diminuía ainda mais os lábios finos. Os olhos, miúdos, pareciam fechados por trás das grossas lentes dos óculos que teimavam em escorregar sobre a pele oleosa do nariz. As orelhas, escondidas pelos bobs, ele sabiam que eram grandes como asas. Nenhuma beleza, nenhum encanto, nenhum dom especial distinguia aquela mulher, cujo corpo volumoso exibia fartos seios que combinavam com o traseiro enorme.
Quando se aproximou do portão, as vizinhas os olharam com olhos de cobiça e nem se deram ao trabalho de esconder os sorrisos de sedução e os gestos coquetes com que procuravam ajeitar os cabelos ou alisar os vestidos caseiros. Ele sabia ser ainda um belo homem, no auge de sua masculinidade madura. Já ela, deixava-se embarangar a olhos vistos. Mesmo sendo impossível uma comparação, a “outra” ganhava disparado em charme, elegância, sedução. Ao contrário desta, ela seguira uma carreira profissional, se mantinha a par dos assuntos do momento e era capaz de discutir de política a economia, de moda a gastronomia. Sua esposa mal sabia dos assuntos do fogão ou da novela das nove.
Cumprimentou as vizinhas, recebeu um arremedo de sorriso da esposa e entrou para mais uma noite morna em frente à TV.
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08/02/2009

O Carnaval, a Cerveja e o Teatro de Revista

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Verão combina com cerveja que não combina com barriga de tanquinho. Mas como não sou escravo da moda, nem de suas dietas impossíveis, prefiro ostentar meus pneuzinhos e ser feliz com o que tenho. Felizes foram nossos pais que não precisavam se preocupar com essas questões menores e tiveram o prazer de admirar e desejar as vedetes do Teatro de Revista, também conhecido como Teatro de Rebolado, bastante populares em meados do século passado. Os mais novos não devem saber, mas muitas das atrizes hoje (re) conhecidas pelo seu trabalho em televisão e teatro começaram lá, encantando nossos pais com corpos esculturais e bem mais cheinhos para os padrões atuais.
O Teatro de Revista, derivado dos ‘vaudevilles’ parisienses,................

Está achando interessante? Quer ler mais? Clique aqui.

Segunda sim, segunda não, estou lá no Palimpnóia, onde desfruto da companhia de pessoas super especiais. A cada dois dias um novo cronista com um assunto muito interessante estará aguardando sua visita .

Você já conhece o pessoal do Palimpnóia? Vale a pena conhecer! É gente de primeira! Vá ...



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03/02/2009

Considerações masculinas sobre corpos femininos

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Nas décadas de 40 e 50, imperavam como modelos de beleza feminina, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe, expostas ao mundo por Hollywood e, da Europa, nos chegavam a exuberante Sofia Loren e a estonteante Brigitte Bardot, todas com seus seios fartos, quadris largos, cinturinha “de pilão” e sensualidade transbordante. Era uma época em que os corpos femininos viviam cobertos por mais panos, escondendo partes do corpo e apenas insinuando todas as “delícias carnais”, com esplendores curvilíneos, macios e consistentes em suas carnes fartas. E os homens amavam as suas mulheres, desejando ardentemente seus corpos fartos e voluptuosos.

Elas também não tiranizavam os homens, cuja barriguinha aparente era antes um sinal de estabilidade, boa saúde e prosperidade. Ninguém vivia “malhando” em academias atrás de músculos poderosos e barrigas de tanquinho.

A década de 60, com grandes mudanças, entre as quais, o primeiro homem a pisar a Lua, o surgimento de um protótipo da internet (a Astranet), alterações nos sistemas de telefonia, o surgimento da TV colorida, dos Beatles e, claro, da magérrima Twiggi, que mais parecia um rapazinho adolescente, foi um período marcante e muito importante, como marco da modernidade.

Por essa época, movimentos como o do WLM (Women’s Liberation Movement), onde cerca de 400 ativistas realizaram um protesto contra a eleição de Miss América, por considerarem a escolha da americana mais bonitinha como uma visão arbitrária da beleza e opressiva às mulheres, devido sua exploração comercial. Elas depositaram no chão do Atlantic City Convention Hall, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagem, revistas femininas, cintas, espartilhos e, claro, os famosos sutiãs, todos tidos como “instrumentos de tortura feminina”. Em dado momento, alguém sugeriu que tacassem fogo em tudo, o que evidentemente não aconteceu, por falta de permissão, já que estavam em um local não público. Também não se tem notícia de nenhuma mulher que tenha tirado seu sutiã em público para “queimá-lo”. Esse movimento acabou sendo conhecido como “A Queima dos Sutiãs”, foi associado aos movimentos feministas e até mesmo aos de liberação sexual dos jovens, sem que nenhum tivesse nada a ver, diretamente, com os demais.

Mas, a partir daí, a indústria do consumismo, sempre atrás de um cada vez maior número de escravos, através da mídia começou a transformar os padrões de beleza, confortáveis até então, numa verdadeira guerra contra o corpo, os quilinhos a mais e, principalmente as gordurinhas extras. E estava criada a obsessão que atinge até os dias de hoje a maioria das mulheres – e de muitos homens também – atrás da silhueta esguia e do tônus muscular de um zagueiro de futebol. Vêem-se mulheres insatisfeitas com seus corpos, se julgando imperfeitas, sempre 2, 3 ou mais quilos atrás da felicidade. Essa busca de um padrão de beleza completamente distante do corpo humano natural cria ferozes ditaduras, dietas intermináveis, lipoaspirações, aplicações de botox e outras substâncias químicas, baldes de suor derramados em academias de ginástica – verdadeiros templos de tortura – e tudo em nome da busca da saúde.

A massificação dos conceitos exclui a individualidade, cria o mito da “falsa gorda”, com a idéia de felicidade possível apenas dentro de um padrão estético pré-determinado, além de impedir a realização pessoal, social e afetiva da mulher – e do homem – que se permite aprisionar por estes “dogmas”.

No Brasil ainda temos a herança genética que nos presenteou com quadris mais largos, fazendo com que a mulher brasileira se diferencie das norte americanas e européias, devido a essas formas mais exuberantes. Também contribuiu para isso, o surgimento de uma Gisele Bündchen, melhor servida em peitos e bunda do que suas companheiras de passarela e que conseguiu tornar-se a queridinha da moda, abrindo caminho para que a beleza brasileira galgue degraus na escala da moda. Espero que isso ponha fim a essa ditadura que obriga nossas mulheres a queimarem durante o dia os contornos dos seus corpos que nos serão negados à noite, substituídos por indesejável massa muscular, mais apropriada aos atletas de uma Olimpíada.

Que mulheres e homens aprendam a respeitar seus corpos, com perfeições e imperfeições, entendendo finalmente que são apenas gente, pessoas que nascem, crescem, estudam, trabalham, paqueram, amam, trepam e têm por objetivo principal, viver bem consigo mesmos e com a vida.

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O meu amigo Sieger indicou o Janelas como um Blog Maneiro. Obrigadão.
Antes de repassar, tem umas regrinhas e depois, um prêmio.

Regras:
1 - Exibir o selinho do Blog Olha que maneiro!
2 - Postar o link do blog pelo qual foi indicado.
3 - Indicar e comunicar 10 blogs da sua preferência.
4- Confira se os blogs indicados cumpriram as regras.
5 - Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá uma caricatura em P&B.
6 - Só tá valendo se todas as regras acima forem seguidas!

Como todos os blogs que visito são maneiros, vou deixar de repassar, valendo para quem se habilitar.

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30/01/2009

LETRA CRUA NA PELE NUA

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Mais um livro recém saído do forno, reunindo autores blogueiros. Este é uma coletânea de textos eróticos organizada pela Euza, a nossa amada Loba.

Participaram deste livro: Adelaide Amorim, Aline Belle, B., Dama de Vermelho, Dira Vieira, Esyath Barret, Igor K. Maciel, Srta. Bia e eu. A apresentação foi feita pelo nosso querido Jens, com sua prosa descontraída.

Já comecei a leitura dos contos e garanto que é literatura erótica das melhores. A linha que divide erotismo e pornografia é bastante tênue, mas os autores se mantiveram dentro do limite do erotismo, trazendo-nos trabalhos de deliciosa leitura, prontos para incendiar imaginações.

Maiores informações poderão ser encontradas no site da Editora. Clique aqui.

Agora que já sabe sobre o livro, se quiser saber algo a meu respeito e ainda não visitou o Palimpnóia, clique aqui.
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Recebi este lindo selinho da Nade. Obrigado, minha linda!

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